Bode e a cabra fazem a festa nos municípios do semi-árido baiano
Bode é um animal forte, resistente no semi-árido b
“Êeeeita bicho ´cabra da peste´!!!!”. Conhecido por toda a região nordestina, os caprinos são animais da família Bovidae que incluí bodes domésticos e cabras. Multifacetado, ele apresenta diversos significados na linguagem popular e grande importância na culinária sertaneja, além de ser instrumento básico para a subsistência do nordestino. No Estado da Bahia, os principais municípios que investem na criação do animal estão localizados no semi-árido, região definida principalmente pela capacidade de sobrevivência do animal nos períodos de seca, em que se predomina a pouca subsistência tanto para o bicho, quanto para o homem.
Dizem “cabra macho” quando querem se referir a um homem valentão; e quando querem mencionar que alguém se encrencou, afirmam: “olha onde ele foi amarrar o bode”. Expressões como essas são comuns no nordeste brasileiro e fazem naturalmente parte do vocabulário do sertanejo, afinal sendo bode ou a cabra o bicho “dá o que falar”. Mas não só de tradição popular vive os contos do bichano. O escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto, membro da Academia Pernambucana e da Academia Brasileira de Letras afirma em Poema(s) da Cabra que “a cabra é o melhor instrumento de verrumar a terra magra/ Por dentro da serra e da seca/ não chega onde chega a cabra”.
CRESCIMENTO - Ainda hoje o escritor possui toda razão quando se fala da cabra, já que a criação do animal cresceu em todas as regiões do país, com exceção do sul. A caprinovinocultura (criação da cabra e do bode) aumentou nos últimos 30 anos no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente a região Nordeste concentra 93% de todo rebanho nacional, estando em segundo a região Sudeste com apenas 2,38%.
Na Bahia, no entanto, 4 milhões de caprinos são criados na região do Sertão do São Francisco abrangendo os municípios de Juazeiro, Uauá, Casa Nova, Monte Santo, Ipirá, Remanso, Campo Alegre de Lourdes, Couraçá, Pilão Arcado, Campo Formoso, Sento Sé e Canudos. O Estado é considerado o principal criador do país com 40% do efetivo nacional. A produção é focada para a comercialização da carne, porém está crescendo também, a produção do leite.
De acordo com o técnico do Programa Sertão Produtivo, da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado, André Rocha, “a profissionalização existente hoje está aquém do desejado. Nosso programa tem um foco voltado desde o apoio ao agricultor até chegar a comercialização do produto (carne ou leite). Hoje em dia fomentamos a qualidade na produção através de visitas técnicas nessa região e facilitando o arranjo da cadeia produtiva (criador-comprador)”.
ATOLADO DE BODE – A carne caprina é uma das mais saudáveis entre as carnes vermelhas por possuir baixo teor de gordura (2,8%) e baixo teor de colesterol, e por possuir também mais proteínas e ferro. No nordeste a carne do bichano é bastante consumida, principalmente entre os sertanejos. Entre os pratos principais estão o Assado (carne assada), Atolado de Bode (carne frita coberta com pirão de aipim), Buchada de Bode (Vísceras de Bode) e o Ensopado de Bode (carne cozida com caldo).
Pouco se sabe, mas em São Paulo a carne de bode é bastante consumida, mas os pratos preparados na capital econômica do país, mantêm a singularidade da sofisticação encontrada em uma grande metrópole. O restaurante La Vechia Cucina vende aos seus fregueses seis bodes por semana, e o consumo se dá através do prato principal feito com a carne do bode assada lentamente ao vinho branco e servido com polenta. No Brasil, além da carne, o leite caprino está sendo bastante consumido por ser consideravelmente saudável e rico em extrato seco e gordura além de ser utilizado para a produção de queijo. O animal ainda fornece o pelo, o couro, o esterco e a tração.
BODE EXPIATÓRIO - No ano de 447, os bispos cristãos fizeram sua primeira descrição oficial do diabo. Na versão medieval, ele seria imenso e escuro com grandes chifres na cabeça e por isso, quem comesse a carne do bode estaria realizando um pacto com “aquele que não se diz nem o nome”. As famílias mais ricas da região que criavam muitos desses animais se renderam aos prazeres da carne e pressionaram os bispos a escolher uma outra figura para fazer de “bode expiratório”. Sem muita criatividade, o bicho escolhido foi a cabra, que era consumida nas famílias de baixa renda, que utilizavam o bicho de todas as maneiras, principalmente com o consumo da carne e do leite.
A mais conhecida consumidora do leite de cabra foi a última rainha egípcia da dinastia Ptolemaica (305 a 30 a.C.) a excêntrica e sedutora Cleópatra VII, que co-governou o reino Egípcio, primeiramente ao lado de seu pai, o Rei Ptolomeu XII, posteriormente ao lado do seu irmão com quem casa-se mais tarde e, por fim, ao lado do seu filho. Uma das muitas excentricidades da Rainha era banhar-se com leite de cabra e receber massagem de coalhada feita do mesmo leite.
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